47. O Lago Claro, Magreza, Sukiyaki e o Descuido da Bruxa (3)
Na morada da bruxa, cercada pelo lago, ela fica girando o pilão – girando e girando.
A argamassa firmemente segurada por seus pés transmite uma leve vibração para Roze.
“—ah não, eu aterrei demais...”
O ingrediente para fazer a poção secreta de uma Bruxa ficou menor que o tamanho desejado.
Diante de um aparente fracasso, Roze se joga no chão. A poeira dança.
“…para causar tal erro, há quantos anos venho fazendo poção?”
Quando ela acabou de herdar o título de ‘Bruxa Boa do Lago’, ela experimentou inúmeros fracassos. Recentemente, ela conseguiu produzir resultados que a deixaram satisfeita.
Roze sabe exatamente o que deu errado.
“Assim que eu me casar…”
Ela está completamente dominada pelas palavras que ouviu de Harij naquela manhã.
O campo que ela sempre cuidou, o preparo da poção que ela já está acostumada - só porque a mente dela é um pouco tumultuada, ela comete muitos erros básicos. É a primeira vez que isso acontece com Roze. Roze está intrigada consigo mesma.
"Eu quero que você se case comigo."
Quando Harij disse isso, ele negou a afirmação de Roze de que ainda estava sob a influência da poção.
… pensando nisso agora, talvez essas palavras realmente tenham sido causadas pela Poção do Amor.
Por que ela não considera a possibilidade?
Roze, que viveu sem contato com as pessoas, pode ter percebido que, no fundo, ele não quis dizer isso.
Em suma, quem fez ela se sentir perdida foi ela mesma.
Como Harij parecia muito sério e natural quando fez a proposta, Roze aceitou.
Nunca pensou que aquilo pudesse ser a brincadeira de um aristocrata. Talvez receber a gentileza de Harij até agora a tenha tornado ingênua.
Ela naturalmente acreditou nas palavras de Harij, simplesmente assim. Mesmo que tais palavras, vindas dele, sejam verdadeiramente inacreditáveis.
Quando ela pensa em si mesma, que aceitou descaradamente as palavras de Harij – “Míope”. Ela murmura para si mesma.
Continuar acreditando cegamente até aquele segundo — ela é uma tola?
Ela deixou isso subir à cabeça. Ela só quer voltar ao passado, então ficar diante de seu eu passado e rir daquela Roze que acreditou tolamente em Harij.
Roze confiava em Harij. Quero acreditar nele - certamente, essa foi uma decisão dela.
Agora é hora dela deitar na cama que ela fez.
Seja para duvidar ou para acreditar, o que é certo ou o que é errado, a confiança de Roze foi abalada.
“… vamos para casa hoje.”
Porque não importa quanto tempo ela passe lá, ela só desperdiçará material.
Levantando-se impotentemente, a poeira sobe do chão. Roze sai de casa, sem nem se importar com a poeira que tingiu a bainha de seu manto de cinza.
Lá fora, o sol está prestes a se pôr atrás da borda da montanha. Ela não realizou muito hoje.
Roze olha alternadamente para o lago carmesim e para a sala que está mais bagunçada do que o normal, e encolhe os ombros.
Ela fecha a porta e vira a placa. Com a chave pendurada no pescoço, Roze pega o remo e fica surpresa – seus olhos se arregalam.
Na fronteira entre o cais e a floresta, fica Harij.
Ela está chocada por ele estar lá. Porque embora muitas vezes vão juntos para a casa, ela nunca foi pega.
O fato de ele ter que buscá-la assim, talvez algo tenha acontecido na mansão. Roze rema no barco sem pensar.
"Aconteceu alguma coisa?"
Embora sua expressão seja fria, seu tom é impaciente. Harij percebe a impaciência de Roze e balança a cabeça.
"Como estou de folga hoje, vim buscá-la."
Ele veio especialmente buscá-la – Roze fica surpresa por um momento.
Ouvir aquela frase incrível de alguém que ela amava...
– por mais incrível que possa parecer, não deveria haver tal evento no futuro que Roze imaginou vagamente…
Esquecendo as dúvidas em relação a ele, para esconder o constrangimento, ela abre a boca.
“Mesmo que você esteja de férias, seu trabalho aumentou – deve ser por causa dele.”
Harij balança a cabeça na direção de Roze, que acha que deveria acompanhá ele para casa. Afinal, não tem como aquele cara voltar sozinho.
"Não. Não estou preocupado com ele porque há um cavaleiro esperando na mansão.”
Parece que aquele homem, que estava coberto de excrementos de pássaros, ainda percebe que é um príncipe. Então, depois de conversar com o amigo, Harij provavelmente o deixou com a escolta. Como tal, Harij pode ir com calma.
Percebendo que Harij está olhando para os pés de Roze, Roze também desce. Aparentemente, ele está olhando para a bainha suja dela.
Roze finge que não é nada e casualmente limpa a sujeira com a mão.
“—hoje foi bom?”
“'Tudo bem', como?”
"Você está indo para casa?"
"Sim. Mesmo se eu ficar por lá—“
— Não consigo realizar muito trabalho. Roze fecha a boca. Ela não está confiante o suficiente para continuar respondendo. O rosto de Harij se distorce, ponderando o motivo pelo qual Roze parou de falar.
“Como pensei, Yashm disse mais alguma coisa para você?”
Roze fica surpresa por ele ainda estar preocupado com isso. Ela quer tranquilizá-lo para que ele não se preocupe mais.
“Não, ele não disse nada…”
“Então, é por minha causa?”
Roze não pode dar uma resposta imediata.
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